terça-feira, 17 de junho de 2014


        Eu escolho não aceitar. No meu horizonte não impera mais o medo, a insegurança, a aflição. Escolho não aceitar a opressão da não possibilidade. Descanso no Senhor, o qual tem me suprido dia após dia com sua imensa misericórdia. Muitas vezes o diabo quer nos fazer aceitar nosso não merecimento do olhar e atenção de Deus. De fato não merecemos, pois somos pecadores. O problema é quando interiorizamos, nos conformamos e assimilamos a tal ponto de esquecer o óbvio: A graça dEle que nos acorda a cada manhã. É como se fosse uma nova possibilidade de honra-lo e merecê-lo. Como uma nova oportunidade de mudança. Uma nova oportunidade de entrega. Esquecemos o amor que o Senhor tem e sempre teve, evidenciado principalmente quando mandou seu filho para levar sobre si todas as mazelas que nos separavam do pai.

sábado, 8 de março de 2014




- O outro é interessante até quando ainda desconhecido. Logo revelados os traços que residem o submundo de suas máscaras, passa a ser como narinas congestionadas: Nem fede nem cheira.







“Tá certo, eu não nego. Não existe mais uma palavra sua que me comova. Todo seu encanto ruiu, todo seu olhar ensecou e ficou sem brilho. Sua língua não mais me arrebata. Àquela hora, naquele dia foi o divisor de águas entre mim e a amizade dantes cultivada. Todo seu solo rachou. Olhar você é como estar entre Deus e o diabo. Não mais me conquista, não mais me toma, não mais me alegra.”





quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014


"Cansei de querer-te o bem, a paz. Relego a você o mundo, o qual vai moldar cada fibra tua.  Cada fibra morta, cada quarto escuro, cada estrada gélida e inacabada. Cansei de te trazer para o Templo. 
Verás sozinho o quanto sois incapazes de te sustentar." 






sábado, 22 de fevereiro de 2014


Existem coisas que nos ferem tão profundamente quanto a bala disparada. 
A palavra lançada é um fator mordaz não para o corpo, mas para a alma. 


Um dia desses, Ela havia parado para pensar se, pelo resto de seus anos de vida, alguém a amaria tanto quanto o seu primeiro amor de infância. Haveria de ficar ali, fadada àqueles homens, sem deseja-los, ouvindo expressões que pareciam ser mais cabíveis a cachorros? Ouvira em algum lugar que alguém tinha amor para oferecer incondicionalmente. Ela sabia de quem se tratava. Só há um alguém assim. Mas existiam prerrogativas que presumia não conseguir atingir. Havia certos detalhes que talvez, pensava consigo, não teria como adentrar sua alma. Como poderia perdoar quem certo dia denegrira sua honra? Como poderia olhar com compaixão alguém que certo momento ferira seu corpo por um motivo tão estúpido? Como oferecer seu coração ao invés da “carne” para confortar alguém que explode dentro de si por raiva de outro alguém? Ou que está ali apenas para saborear daquele prazer instantâneo? Conseguiria apagar toda e qualquer palavra de acusação um dia dita sobre si? Estava tão profundamente abalada que qualquer coisa a feria. Machucava tão simplesmente quanto um sopro.  

domingo, 16 de fevereiro de 2014






Engraçado perceber que, durante todo esse tempo, quando mandavas que eu tivesse cuidado, essa ordem nada mais era o imperativo que almejava entrar em vigor sobre ti, retumbando em cada parte do teu corpo querendo te proteger. Você esteve sempre sob o julgo do irreal, querendo pra si um mundo o qual aos poucos se descobria não existir e, inspirando a incerteza, amedrontava-se com o palpável.