sábado, 22 de fevereiro de 2014


Existem coisas que nos ferem tão profundamente quanto a bala disparada. 
A palavra lançada é um fator mordaz não para o corpo, mas para a alma. 


Um dia desses, Ela havia parado para pensar se, pelo resto de seus anos de vida, alguém a amaria tanto quanto o seu primeiro amor de infância. Haveria de ficar ali, fadada àqueles homens, sem deseja-los, ouvindo expressões que pareciam ser mais cabíveis a cachorros? Ouvira em algum lugar que alguém tinha amor para oferecer incondicionalmente. Ela sabia de quem se tratava. Só há um alguém assim. Mas existiam prerrogativas que presumia não conseguir atingir. Havia certos detalhes que talvez, pensava consigo, não teria como adentrar sua alma. Como poderia perdoar quem certo dia denegrira sua honra? Como poderia olhar com compaixão alguém que certo momento ferira seu corpo por um motivo tão estúpido? Como oferecer seu coração ao invés da “carne” para confortar alguém que explode dentro de si por raiva de outro alguém? Ou que está ali apenas para saborear daquele prazer instantâneo? Conseguiria apagar toda e qualquer palavra de acusação um dia dita sobre si? Estava tão profundamente abalada que qualquer coisa a feria. Machucava tão simplesmente quanto um sopro.  

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