Existem coisas que nos ferem tão profundamente
quanto a bala disparada.
A palavra lançada é um fator mordaz não para o corpo,
mas para a alma.
Um dia desses, Ela
havia parado para pensar se, pelo resto de seus anos de vida, alguém a amaria
tanto quanto o seu primeiro amor de infância. Haveria de ficar ali, fadada
àqueles homens, sem deseja-los, ouvindo expressões que pareciam ser mais
cabíveis a cachorros? Ouvira em algum lugar que alguém tinha amor para oferecer
incondicionalmente. Ela sabia de quem se tratava. Só há um alguém assim. Mas
existiam prerrogativas que presumia não conseguir atingir. Havia certos
detalhes que talvez, pensava consigo, não teria como adentrar sua alma. Como
poderia perdoar quem certo dia denegrira sua honra? Como poderia olhar com
compaixão alguém que certo momento ferira seu corpo por um motivo tão estúpido?
Como oferecer seu coração ao invés da “carne” para confortar alguém que explode
dentro de si por raiva de outro alguém? Ou que está ali apenas para saborear
daquele prazer instantâneo? Conseguiria apagar toda e qualquer palavra de
acusação um dia dita sobre si? Estava tão profundamente abalada que qualquer
coisa a feria. Machucava tão simplesmente quanto um sopro.
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