Procurava.
Desentulhava às pressas coisas antigas do armário.
Tira, tira, tira!
Sacode!
Logo,
logo!
“Deus
me perdoe!” – Clamava em silêncio. Esbaforida, achou o chicote. Ajoelhou-se
ante a cama e puniu-se como nunca.
Em sua mente, achava que sua salvação estava
por um fio. Não entraria no Reino dos Céus, pensava. Mesmo com toda sua
intelectualidade, com todos os seus discursos herméticos a respeito de Deus no
púlpito, com todas as obras realizadas para ajudar aos pobres, sentia estar
indo a cada segundo em direção ao inferno. O diabo deve estar sorrindo, pensava
triste, quase morrendo de desgosto de si. Talvez ele estivesse, digo eu mesmo a
mim. Para falar a verdade acho até que zombava da ignorância de alguém que
procurava viver um evangelho computadorizado, supondo que só entraria no Reino
caso sofresse os maiores suplícios do corpo, caso falasse as mais belas palavras
sobre Jesus e seu Pai ou até desse, todas as segundas-feiras, um quentinha aos
que moram debaixo da ponte. Coitada, ironizava o diabo. Paulo diz que o homem é
justificado pela fé, não por obras, doutrinas ou sofrimentos. Porque não é você
que se salva. É Deus quem salva você.
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