quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Procurava. Desentulhava às pressas coisas antigas do armário.

               Tira, tira, tira!

                         Sacode!

                               Logo, logo!

                                       Deus me perdoe!” – Clamava em silêncio. Esbaforida, achou o chicote. Ajoelhou-se ante a cama e puniu-se como nunca.

 Em sua mente, achava que sua salvação estava por um fio. Não entraria no Reino dos Céus, pensava. Mesmo com toda sua intelectualidade, com todos os seus discursos herméticos a respeito de Deus no lpito, com todas as obras realizadas para ajudar aos pobres, sentia estar indo a cada segundo em direção ao inferno. O diabo deve estar sorrindo, pensava triste, quase morrendo de desgosto de si. Talvez ele estivesse, digo eu mesmo a mim. Para falar a verdade acho até que zombava da ignorância de alguém que procurava viver um evangelho computadorizado, supondo que só entraria no Reino caso sofresse os maiores supcios do corpo, caso falasse as mais belas palavras sobre Jesus e seu Pai ou até desse, todas as segundas-feiras, um quentinha aos que moram debaixo da ponte. Coitada, ironizava o diabo. Paulo diz que o homem é justificado pela , não por obras, doutrinas ou sofrimentos. Porque não é você que se salva. É Deus quem salva você. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Vale mais perdoar. Ele havia aprendido isso. Mesmo com todas as cruzes a se carregar, com todo o orgulho, com todo o amor próprio, ele escolheu abrir mão de qualquer sentimento, pensamento, se esvaziou de tudo e optou por perdoar. Era - e é - algo a ser cultivado. Na terra seca do nosso coração, boas árvores podem surgir quando o solo é regado com os frutos do espírito. E quando se tem um coração maduro e pronto a, basicamente, amar e perdoar, não há preocupação porque Deus concede, quando menos se espera, a oportunidade de você falar com mansidão, compreensão, fé, paz e temperança. Isso porque atitudes valem mais que um “eu te perdoo”, que muitas vezes sai da boca pra fora.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


       
            Muitas vezes o sofrimento é capaz de cegar nossos olhos e até mesmo endurecer o coração. Estamos tão compenetrados em sofrer, em se preocupar, chorar, tentar resolver e sobreviver que nos esquecemos da promessa de Deus sobre nossa vida. Dispensamos a ajuda do outro. Deus?  Jesus? A única certeza que temos é da utopia da palavra, encarando-a muito mais como abstração da mente alheia. Entretanto, é preciso lembrar que ele convidou todos os cansados e sobrecarregados a ir até ele porque só assim estes obteriam descanso. Por isso há a necessidade de que os corações sejam abertos e estejam dispostos a dividir suas dores com Cristo. Jesus é o ÚNICO santo capaz de fazer transbordar qualquer vazio, capaz de ajudar nos nossos momentos de fraqueza e nos levantar quando a tristeza tenta nos tomar ao vermos tanta gente indo e nosso pé aparentemente fincado no concreto. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014



Foi consumado. O último ato daquele espetáculo chegara ao fim.  Jesus chorou e sorriu com a criação enquanto a cortejou durante vida terrena. Não havia mais travessões entre nós, pecadores, e Ele. A única última fala sairia agora da própria boca do Rei, questionando seu pai sobre o aparente abandono. Ele se deixou ser levado. Ele havia de ser morto para que o véu que nos dividia do Altíssimo fosse rasgado e a peça terminasse plausível. Para que todos os nossos pecados fossem escondidos atrás de cada parte do seu corpo e cada gosta de sangue e, assim, perdoados. Para que pudéssemos experimentar a leveza do viver por meio da presença de Cristo em nós e olhar o céu com ternura sentindo seu amor e compaixão.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014



A misericórdia do que se entregou se renova sobre nossas cabeças, como se nos oferecesse uma tela limpa.  Sentimos sua graça na vergonha que nos esconde. Sentimos seu amor no constrangimento que nos intimida. Faz-nos lembrar de que, diante do seu poderio e perfeição, somos tão minúsculos, frágeis e capazes de exercer, assim como ele, o perdão, o amor, a humildade e a ética.  Ante esse renovo, somos artistas, dotados do poder de escolha, libertos, prontos, a cada manhã, para modificar o modo como se pinta e o produto da aquarela.